“Com base na declaração de Bakthin, pode-se afirmar que ler não é unicamente decodificar os símbolos gráficos, é também interpretar o mundo em que vivemos”. (Patrícia F. Bianchini).



terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Biblioteca, o coração da escola

Imagem para simples ilustração.
Reproduzida do blog: loucura-por-leituras.blogspot.com.br

Publicada: 24/08/2010 no Jornal da Cidade.

Biblioteca, o coração da escola.
Por Hunald de Alencar*

Vários teóricos discutem, há décadas, os critérios da Avaliação, mas uma coisa é certa: não adianta haver notas altas na caderneta, e não existirem habilidades, e, podemos dizer que a Leitura é a mais abrangente.

Quando falamos que a Biblioteca é o coração da Escola, estamos a ratificar porque no uso correto do seu acervo, fazem-se aplicações pedagógicas a permitirem que surja o Leitor cidadão. Não se pense em Biblioteca como local de castigo, da mesma forma que não se manda para as quadras esportivas o aluno “indisciplinado”; muito menos como uma sala “arrumadinha” para impressionar visitantes. Ao contrário, deve ser viva e articuladora. O aluno deve ter acesso a seu acervo e aprender também a ser responsável por ele. E o professor deve atuar como um multiplicador de salas-de-leitura, estendendo a biblioteca às salas de aula.

Dizer que a juventude “não gosta de ler” é mentira. Antes, é preciso que se saiba “do quê” a juventude gosta e, para tanto, é preciso seguir o conceito de “pedagogo”, que é: conduzir. Outra bela mentira é culpar o computador pelo desinteresse da leitura: o computador também é um livro, o que muda é o veículo condutor do texto, como, aliás, vem ocorrendo desde os tijolos da Mesopotâmia, o papiro, a prensa e hoje a página digital. Além do mais, o texto, antes de ser escrito, é oral. Neruda já disse que escreve para o povo ainda que ele não possa entendê-lo com os seus olhos rurais. Cabe a nós, educadores, fazer com que o povo entenda, porque a Cultura pertence ao Povo e sonegação cultural é crime.

O nosso Castro Alves já falou que “Bendito é o que semeia livros à mão cheia e manda o povo pensar” E adianta: ”O livro caindo na alma é chuva que faz o mar” e é a semente das grandes revoluções. A Biblioteca deve ser aberta à comunidade, pesquisada, usada, espaço que prática a aferição das habilidades, inclusa aí a sua midiateca.

No Colégio Estadual Vitória de Santa Maria, sua pequena biblioteca (ainda) alcança um movimento diário de cento e quarenta e sete obras consultadas e com filas de espera. Não precisou de altas verbas para ser iniciada, pois bastou o gesto cidadão de três pessoas para começar o seu acervo: as doações de D. Eliana Aquino, do Professor Alencar Filho e Dr. Orlando Rochadel, e raro é o mês que os próprios professores não acrescentam exemplares, como Maria de Fátima Neves e Ana Cristina Oliveira, cuja doação da coleção de revistas de geografia mal foi registrada no acervo, multiplicou-se sala em sala, por exemplo, sem falar do acervo de edições especiais do próprio MEC.

O Professor Luís Fernando Ribeiro Soutelo é autor de um projeto que cria a Rede Estadual de Bibliotecas e agora com a Internet, mais do que nunca deve ser posto em prática para que permita que o aluno lá de Carira acesse o acervo do Colégio Atheneu, por exemplo.

Iniciada a Estante do Autor Sergipano, a procura, principalmente por poesia, é outra prova que existe um potencial e promissor crescimento do seu público leitor, ao tempo em que urgem edições de obras sergipanas esgotadas, novos títulos, inclusive didáticos, mas aí é assunto para o próximo domingo.

*Professor.

Texto reproduzido do blog: clodoaldoalencar.blogspot.com.br

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