“Com base na declaração de Bakthin, pode-se afirmar que ler não é unicamente decodificar os símbolos gráficos, é também interpretar o mundo em que vivemos”. (Patrícia F. Bianchini).



sexta-feira, 4 de março de 2011

Poema "Canção do Amor Livre" de Jacinta Passos

3 comentários:

  1. "Canção do amor livre
    Jacinta Passos

    Se me quiseres amar
    não despe somente a roupa.
    Eu digo: também a crosta
    feita de escamas de pedra
    e limo dentro de ti,
    pelo sangue recebida
    tecida
    de medo e ganância má.
    Ar de pântano diário
    nos pulmões.
    Raiz de gestos legais
    e limbo do homem só
    numa ilha.
    Eu digo: também a crosta
    essa que a classe gerou
    vil, tirânica, escamenta.
    Se me quiseres amar.
    Agora teu corpo é fruto.
    Peixe e pássaro, cabelos
    de fogo e cobre. Madeira
    e água deslizante, fuga
    ai rija
    cintura de potro bravo.
    Teu corpo.
    Relâmpago depois repouso
    sem memória, noturno.

    Jacinta Passos [1914-1973], escritora baiana, publicou quatro livros de poemas - Momentos de poesia, Canção da Partida, Poemas políticos e A Coluna – e foi jornalista atuante. Feminista, comunista, internada em sanatórios como louca, enfrentou duros estigmas, com coragem e coerência". (Extraido do site de Janaina Amado, filha de Jacinta Passos).

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  2. "Eu serei Poesia"
    de Jacinta Passos

    "A poesia está em mim mesma e para além de mim mesma.
    Quando eu não for mais um indivíduo,
    eu serei poesia
    Quando nada mais existir ente mim e todos os seres,
    os seres mais humildes do universo,
    eu serei poesia.
    Meu nome não importa.
    Eu não serei eu, eu serei nós,
    serei poesia permanente,
    poesia sem fronteiras."

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  3. Puxa, que legal encontrar Jacinta aqui! Obrigada!

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